Preconceito

Aqui em São Paulo a prefeitura está fazendo um trabalho na Cracolândia, região ocupada por dependentes químicos que já passou por seis prefeitos e resistiu a todos.

A ideia é oferecer comida, moradia, emprego remunerado e tratamento médico. Em troca, os dependentes varrem dez praças da região. Além de quatro horas de trabalho, terão de cumprir jornada diária de duas horas em cursos de capacitação oferecidos pela Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego.

Ainda não tenho opinião formada sobre o assunto, nem acho que este texto seja local para discutir o tema. No entanto, fico incomodado – indignado – com a falta de objetividade de alguns órgãos da imprensa.

Há alguns dias os dependentes receberam seus primeiros salários. Claro, o prefeito estava lá e a imprensa também. Veja o que li em um grande jornal sobre a reação de uma dependente:

“…ao receber o dinheiro, uma pessoa BRINCOU, ‘Vou de taxi’”.

No mesmo jornal, em outro caderno, a cronista social publicou:

“…ao receber o dinheiro, uma pessoa REAGIU, ‘Vou de taxi’”.

Insisto, ainda não tenho opinião formada sobre o assunto, mas fiquei revoltado com a segunda notícia. Trocar BRINCOU por REAGIU muda todo o sentido. Parece uma simples diferença de palavras, mas REAGIU não parece tendencioso? A pessoa que recebeu a gratificação estava só brincando, e não desperdiçando a verba.

Resolvi transformar minha indignação em ação, enviei um e-mail à cronista social. Reclamei da troca de palavras. Ela respondeu:

– Vc tem razão. A palavra foi mal colocada.

Fiquei mais calmo, pelo menos a jornalista respondeu, demonstrou respeito. Mas o problema continuava, eu li a retratação, mas os milhares de leitores não. Enviei novo e-mail.

– Que bom ter sua rápida resposta. O problema é que agora o estrago está feito, a nota não espelha a realidade. Esta é uma situação para a publicação de um “ERRAMOS” amanhã?

Recebi nova resposta, mas agora minha indignação voltou:

– Não. Foi mal colocada mas não é um estrago. Ainda não sabemos o q eles vão fazer com a verba. O cravo ontem subiu de 10 reais para 20… Infelizmente.
Nem entendi a parte final da frase, o que o cravo tem a ver com tudo isso? Bom, não importa, o fato é que os leitores do jornal ainda estão sem a correção da notícia. E a verdade dos fatos, onde fica?

Meus textos normalmente estão relacionados a minha experiência de vida e experiência com treinamentos nas grandes empresas. O que o caso acima tem a ver com os treinamentos? Tudo!

De vez em quando encontro pessoas como esta jornalista nas aulas, que resistem às mudanças, às novas ideias. São pessoas que já chegam com conceitos formados, ou preconceito. No fundo, não é este o verdadeiro sentido desta palavra?

Felizmente poucas pessoas são assim nas aulas, a maioria logo de início já entende logo o recado e cria slides eficazes, consegue maior produtividade com o Outlook ou passam a criar planilhas inteligentes. Desculpem, não resisti a colocar em negrito o nome de alguns treinamentos que ministro – foi o momento “marketing” do artigo (rs).

Todos temos muito a aprender, é só enxergar as alternativas, é só estar pronto para avaliar novas ideias. É só colocar tudo em prática se tudo fizer sentido!

Ainda dá tempo de repetir o final do artigo passado, FELIZ 2014 para todos nós! Bom aprendizado para todos nós!

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br

2014, Carpe Diem!

Domingo passado aproveitei – mais uma vez – a CicloFaixa de São Paulo. Interessante é observar as pessoas contratadas para orientar os ciclistas, aquelas que ficam nos cruzamentos e semáforos com uma bandeirinha.

Algumas estão desanimadas, outras estão mal-humoradas, outras nem fazem o trabalho direito. Está certo, vamos dar o braço a torcer, não é exatamente um trabalho muito empolgante. Ou é?

Encontrei uma pessoa que não só orientava os ciclistas, como também os pedestres e ainda avisava quanto tempo teríamos que esperar até que o semáforo abrisse. Bem mais à frente, depois de passar por várias pessoas contrariadas, encontrei uma mocinha feliz da vida. Enquanto não chegava o momento de acenar a bandeirinha, ela dançava, cantava, comemorava o sol, dizia “bom dia” a todos que passavam e ainda complementava com um “bom passeio”.

Esta mocinha estava aproveitando o domingo tanto quanto nós em nossas bicicletas!

Vamos aparentemente mudar de assunto… Você já parou para pensar em como será nossa agenda em 2014?

– Janeiro e fevereiro: férias;
– Março: Carnaval;
– Junho e julho: Copa do mundo;
– Outubro e provavelmente novembro: eleições;
– Dezembro: festas de final de ano.

Muitos estão comemorando: quase a metade do ano! Muitos estão preocupados: nossa, será que o ano será bom para o Brasil? Para a economia? Para o trabalho? Será que daremos conta de fazer de 2014 um ano produtivo?

E eu então, que sou professor, será que conseguirei dar um número suficiente de aulas? Será que as empresas terão tempo de ministrar os cursos essenciais para seu desenvolvimento e produtividade?

Pois é, volto à mocinha feliz do domingo passado. Vamos viver cada momento ao máximo. O momento é de folga, de torcer pelo Brasil, de pensar no melhor candidato? Vamos fazer tudo com muito gosto, vamos fazer tudo direito.

O momento é de trabalho, de participar de uma aula, de trabalhar? É só fazer tudo de corpo e alma, é só estar 100% envolvido na atividade do momento. Já pensou, poderemos ter um ano com muitos momentos marcantes e – ao mesmo tempo – de muita produtividade. É só viver bem cada um deles! Carpe diem!

Bom 2014 para todos nós!

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br

Provocações

Medo de falar em público. Este foi o assunto mais recorrente no treinamento de oratória que ministrei na semana passada. Por que será que a maior parte das pessoas não gosta de falar em público? Dizem que para muitos este medo é maior até mesmo que o medo de morrer.

Pois então, por uma coincidência muito grande, meu cunhado Fernando encontrou no YouTube dois vídeos em que fui entrevistado no “Provocações”, um programa do Antonio Abujamra na TV Cultura. COMO EU ESTAVA COM MEDO NAQUELE DIA!

É irônico! É paradoxal! Justo eu, um professor que fala para salas com 10, 50, 200 e até 1000 pessoas, um professor que dá aulas sobre como falar em público, como é que eu poderia sentir medo em um programa de televisão?

Senti! Senti muito medo! Na verdade, senti mesmo foi pavor! Por quê? Porque nós, seres humanos, não gostamos do ridículo, temos muito medo do julgamento dos outros. Falar em público é se expor, é se submeter ao julgamento que quem nos ouve. Para muitos, é apavorante!

No entanto, eu estou acostumado a falar em público, não deveria ficar tão apavorado na gravação de um programa de TV. Este é exatamente o ponto, estou acostumado a falar para alunos, abordando temas que conheço. Nunca havia gravado antes algo para a TV. Pior, o programa chamava “Provocações”. Quer nome mais intimidador do que este?

Quais foram as conclusões a que chegamos no treinamento “A arte da expressão em público” na semana passada? Como podemos dominar o medo? Como podemos falar bem em público?

– Domínio. Primeiro, e mais importante, é preciso conhecer completamente o assunto;
– Planejamento. Relacione os temas que você quer tratar, determine uma ordem de abordagem, defina o tipo de conclusão esperada no final;
– Ensaio. Repasse seu discurso quantas vezes você puder. Repasse mentalmente, na frente do espelho, em uma sala vazia ou até mesmo para um pequeno grupo de teste;
– Confiança. Confie em você, não se submeta ao julgamento das outras pessoas. É você quem domina o assunto, é você quem sabe o que deve ser abordado no discurso.

Interessante é que justamente nesta semana li um artigo sobre as caraterísticas das pessoas mentalmente fortes. O texto menciona 13 delas, a segunda tem tudo a ver com este artigo e o treinamento de oratória:

“Não dê aos outros o direito de julgamento. Pessoas mentalmente fortes não dão aos outros o direito de fazê-las sentirem-se mal ou inferiores. Elas entendem que estão no controle de suas ações e emoções. Elas sabem que sua força está em sua habilidade de gerenciar a forma com que reagem às mais variadas situações”.

Que opinião incrível, gostei muito. Claro que eu li esta frase na aula.

Bom, mas o “Provocações”? Será que dá para notar o medo que eu senti no programa? Só há um jeito de saber, é vendo a entrevista:

Provocações, primeira parte
Provocações, segunda parte

É um programa meio antigo, falei até sobre o Orkut. Você lembra dele? O programa é antigo, mas os temas permanecem atuais.

Um abraço,

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br