Nervos à flor da pele

Iria gravar cursos à distância com um parceiro, nós os ofereceríamos em um portal de educação. No entanto, esta nossa vida é muito dinâmica, dois dias depois três clientes solicitaram – ao mesmo tempo – cursos presenciais, eu não conseguiria gravar os cursos online. Enviei e-mail ao parceiro:

– Márcio, três clientes solicitaram cursos presenciais e personalizados, terei que investir bastante tempo na preparação, não conseguirei gravar os vídeos.

Note que esta mudança de planos aconteceu apenas dois após nossa conversa, nada de fato havia sido feito. Não havíamos definidos que cursos gravaríamos, como os divulgaríamos, nem mesmo como seriam ofertados. Mesmo assim, o Márcio reagiu:

– Você é ganancioso, é só aparecer um cliente com um projeto novo e você abandona o velho!

Fiquei chocado com a resposta, até por isso eu a compartilho neste artigo. Em nenhum momento pensei na remuneração envolvida, minha única preocupação foi a qualidade. Os cursos solicitados requerem personalização, preciso de tempo para desenvolver bons treinamentos. Não posso – não vou – ministrar aulas ruins. Aliás, a qualidade dos cursos à distância também seria ruim, já que não teria tempo adequado também para eles.

Por que será que muitas vezes só olhamos um lado da situação? Por que não conseguimos nos colocar no lugar da outra pessoa e entender suas razões? Por que será que o Márcio não entendeu meus motivos?

Bom, mas espera aí, por que será que EU não entendi os motivos do Márcio? Ele contava comigo para desenvolver um projeto, talvez ele já tivesse dedicado algum tempo na estruturação de nosso novo produto – afinal nossa conversa havia sido há dois dias. Provavelmente o Márcio já tivesse feito alguns cálculos e já tivesse concluído que tínhamos algo muito bom para oferecer.

É fato! Certamente ele ficou frustrado, não tiro a razão dele. Mas também acredito que “ganancioso” não seja a melhor palavra para definir a situação. Talvez ele devesse ter dito algo como “estou frustrado, muito frustrado, mas não posso negar que você está sendo profissional – profissional a ponto de abrir mão de um grande projeto, tudo em nome da qualidade dos cursos que você já ministra agora”.

Será que estou certo? Será que estou errado? É, acho que estou certo! Melhor, tiro a palavra “acho”, mudo a frase para “estou certo”! Sei o que estou fazendo, sei o que meus clientes querem e precisam, só ficarei satisfeito se oferecer aulas com muita qualidade. Para isso, preciso de tempo – um bom tempo – para desenvolver os cursos certos para estes clientes.

Mas o Márcio estava mesmo com os nervos à flor da pele. Ele ainda escreveu no e-mail:

– Fernando, não conte mais comigo para absolutamente nada. Passar bem! Não faça mais contatos comigo, acabou aqui!

Repito uma frase anterior, por que será que as pessoas têm dificuldade de se colocar no lugar dos outros? Acredito que eu até entenda as razões do Márcio, infelizmente ele não entende que nunca abrirei mão da qualidade de minhas aulas. Em hipótese alguma!

Não seria melhor se aprendêssemos a analisar todas as variáveis de uma situação?

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br
(11) 9 9943-4909, 3214-0519