Aula DESAFIO

Ministro cursos há 30 anos, felizmente os resultados são sempre muito bons. Nesta semana passada estava eu em mais uma turma, o curso era Excel em nível intermediário, a turma era tão boa que resolvi DESAFIAR os participantes.

Impressionante como deu tudo tão certo! Era a parte final da aula, os objetivos já haviam sido alcançados – os conceitos estavam claros –achei que devia PROVOCAR a turma. Sim, porque uma coisa é explicar os assuntos previstos, outra é verificar se os alunos REALMENTE aprenderam!

Criei uma planilha DESAFIO, mostrei no telão e orientei:

– Bom, pessoal, já vimos muitos recursos interessantes até aqui. No dia a dia será preciso então ESCOLHER qual o recurso mais adequado para a resolução de um problema. Estão vendo esta planilha no telão? Pois bem, o DESAFIO é escolher o recurso certo para fazer o cálculo necessário para a última coluna. Que recurso é este?

Foi impressionante ver a reação das pessoas. Era final de aula, um momento em que muitos estão naturalmente cansados, mas as pessoas ficaram altamente animadas. Foi um dos finais de cursos mais instigantes que já vi em 30 anos de profissão.

Em um primeiro momento, várias pessoas ficaram no escuro, ninguém conseguia pensar na resposta certa. Depois alguns alunos foram tentando e testando alternativas, mas sempre pelo caminho mais demorado. Até encontraram a resposta, mas com muito tempo investido.

Como eu continuei DESAFIANDO, dizendo que haveria solução mais eficazes, eles – ainda altamente motivados – continuaram tentando. Para minha alegria, aos poucos, TODOS os alunos foram descobrindo a melhor alternativa – e sem que eu desse qualquer pista.

Que sentimento de realização para eles! Que sentimento de realização para mim!

Pois é, vivendo e aprendendo. A partir de agora, certamente criarei mais situações de desafio em sala de aula. É por isso que gosto muito desta profissão!

Bons desafios a todos!

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br

Escrever bem, um desafio

Meu artigo mais recente, “Nervos à flor da pele”, provocou reações que nunca poderia imaginar. Revendo resumidamente os pontos tratados:

– Acertei com um parceiro a gravação de vídeos à distância;
– Dois dias depois, três clientes solicitaram cursos presenciais;
– Não teria como fazer tudo com qualidade, disse ao parceiro que não poderia gravar os vídeos;
– A reação dele foi intensa, questionando meu comportamento e rompendo o relacionamento.

Meu objetivo principal no artigo foi questionar reações fortes, muitas vezes sem uma boa reflexão. Recebi vários e vários e-mails de apoio, mas também recebi críticas:

– Entendo seu parceiro, eu também não gostaria de ter contratado um serviço com você e dois dias depois saber que o trabalho não seria feito;
– Como sua decisão impactou o negócio do parceiro? Talvez ele estivesse apostando todas as fichas no novo projeto;
– Uma conversa teria resolvido a situação. Por que vocês não adiaram o início do projeto?

Fiquei muito preocupado com estes comentários, expliquei cada um deles – primeiro para mim mesmo e depois para os leitores.

Usei a palavra “parceiro”, deveria ter dito “amigo”. Sim, a pessoa em questão era um amigo. A gravação de vídeos não era a contratação de um serviço, era sim uma conversa na mesa de um restaurante, tratamos de um possível bom projeto. Sem prazos, sem planos, sem qualquer tipo de análise. Só que nada disso estava explicado em meu artigo.

Gravar vídeos seria mais uma atividade para meu parceiro, ele já tem há anos várias outras em andamento. Mais ainda, eu seria apenas um dos professores que teria aulas gravadas, meu amigo já havia abordado o assunto com outros palestrantes. Só que nada disso estava explicado em meu artigo.

Até propus a retomada do projeto em um futuro próximo, só que não falei disso no artigo.

O irônico é que, talvez pressentindo algumas reações contrárias, pedi a opinião de minha mulher. Ela gostou, achou que estava tudo bem. Só que ela sabia que meu parceiro era meu amigo, que ele desenvolvia outros trabalhos e que minha ideia era retomar a gravação de vídeos em algum momento.

É, escrever bem é um desafio! Há mais uma ironia aqui: sou professor, muitas de minhas aulas falam sobre a arte de escrever bem. Mas este meu texto não foi bem escrito, é por toco no assunto agora. Reconhecer um problema é um passo essencial para resolvê-lo.

Aprendi as lições: escrever, ler, reler, ler novamente! Tentar antecipar todos os lados de uma situação. Pedir para alguém analisar o texto, mas alguém sem qualquer tipo de envolvimento com o assunto. Ler de novo, principalmente se o texto for muito importante.

Conheço um engenheiro que prepara relatórios, mas só os entrega depois de sua esposa analisá-los. E ela nada entende do assunto, ela trabalha na superintendência de um grande banco. Se ela achar o texto coerente, fluido, profissional, então o engenheiro fica satisfeito.

Vivendo e aprendendo!

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br