Criança feliz

Cheguei de uma viagem fora do país na 5ª. feira, tive uma aula já na 6ª. e uma festa de aniversário no sábado. A viagem foi intensa, a volta ao Brasil também!

No primeiro intervalo da aula da 6ª. feira um aluno comentou:

– Gosto muito de suas aulas, são dinâmicas, gostosas de assistir e aprendemos muito. Sempre!

Gostei muito da viagem que fiz, mas uma volta ao Brasil com uma opinião destas fez eu gostar ainda mais da volta.

A festa no sábado foi para comemorar o aniversário de nove anos do filho de um grande amigo. Em algum momento a mãe dele se aproximou:

– Que bom ter você aqui. Você sabia que o dia da festa foi escolhido por sua causa? Deveríamos ter feito a festa algum tempo atrás, mas o Matheus queria porque queria que você viesse!

A viagem que fiz foi sensacional, tive a chance de conhecer lugares lindos e pessoas de vários paises. Mas quer coisa melhor do que voltar sabendo que uma criança de nove anos fazia questão de minha presença?

Fiquei aqui pensando, por que será que o Matheus queria que eu estivesse na festa? Eu praticamente não iria interagir com ele, afinal haveria muitos amigos e certamente eles iriam brincar bastante.

De fato, cheguei à festa e nem vi o Matheus, ele esteva jogando bola com as demais crianças. Só depois de um tempo ele apareceu e … veio correndo me abraçar. Nem preciso dizer que precisei segurar as lágrimas de alegria.

Hoje, escrevendo este artigo, talvez eu tenha chegado à conclusão que meu jeito de professor, elogiado por aquele aluno na aula da 6ª. feira, seja também uma explicação para este sentimento do Matheus. Como professor, aprendi a enxergar as necessidades dos alunos. Como professor, acredito que eu consiga entender o Matheus sem ele nem precisar falar alguma coisa.

Outro dia, por exemplo, eu estava com o Matheus e o pai dele comendo pastel. O dele era de queijo, mas eu senti que ele ficou com vontade de experimentar o meu, de carne. Ofereci e ele comeu um pedaço. Ofereci novamente e ele comeu mais um pedaço. No final, acho que comi menos da metade (rs).

Naquela aula da 6ª. feira, houve um momento em que percebi uma dúvida em um aluno. Ele nem perguntou, nem falou alguma coisa, mas assim mesmo a expressão de dúvida era clara. Eu pedi então para ele perguntar em voz alta o que estava pensando. Ele levou um susto, não sabia que estava sendo assim tão transparente, mas fez a pergunta. E eu respondi!

Este é um dos grandes ganhos que a vida me proporciona. Ser professor, entender as necessidades das pessoas, e muitas vezes poder ajudar, é de uma alegria que não tem preço. Que bom!

Um abraço grande,

Fernando Andrade
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