Muita informação, pouca informação!


Obra do artista plástico norte-americano Nathan Sawaya, coleção “The Art of the Brick”

Falei para minha esposa:

– Como uma pessoa tão bem informada, tão conectada, não sabia disso?

Estávamos falando de uma pessoa, nossa conhecida, reconhecida por ser alguém que sempre está a par do que acontece. Pois é, falamos sobre algo que estava na grande imprensa e ela não fazia a menor ideia do que se tratava.

Você lê muita notícia? Recebe muita informação? Então você está realmente informado sobre o que realmente interessa? Bem, minha vontade é responder, com toda minha convicção, de que eu sou uma pessoa que de fato sabe o que precisa saber!

Será?

Vamos pensar juntos! Abro o computador, já aparecem logo algumas notícias do dia na tela. Leio rapidamente, estou informado! Recebo e-mails, muitos e-mails, dou uma olhada geral, estou informado! Abro meu celular, WhatsApp logo na frente, fico sabendo o que meus amigos, parentes, clientes e vizinhos estão falando, estou informado. Ah, o melhor dos melhores, fico um tempo xeretando o Facebook, agora sim estou realmente informado!

É, este talvez seja um problema. E dos grandes! A maior parte do que li está relacionada a meus amigos, meus contatos e sites que visito sempre. Vivo em uma redoma de amigos WhatsApp, vivo em uma bolha Facebook. Será que meus amigos, meus seguidores e meus seguidos sabem realmente o que é relevante?

Vamos radicalizar! Gosto muito de ler o que meus amigos publicam porque são opiniões bem sensatas, refletem o que penso e o que imagino. E, de novo, este talvez seja o problema! Só encontro opiniões e posições semelhantes às minhas. Estão certas? Eu não deveria conhecer posições conflitantes? Mesmo que fique irritado, mesmo que considere irrelevantes ou absurdas, eu não deveria pelo menos refletir?

Nélson Rodrigues, grande e polemista dramaturgo, dizia algo que gosto demais: “Toda unanimidade é burra”! É confortável compartilhar pensamentos iguais aos nossos, é animador saber que tenho amigos com mesmas opiniões e posicionamentos. Nos sentimos em um mundo mais familiar. Como gostamos do que é conhecido! Isso é bom?

Uma vez vi uma sugestão sensata de uma pessoa sensata que me deixou bem intrigado. Devemos seguir pessoas no Facebook ou Twitter que tenham opiniões completamente diferentes das nossas. Devemos abrir nossas mentes.

Ainda não fiz isso, provavelmente farei! No entanto, faço questão de ler jornais e revistas de várias tendências. Algumas opiniões me deixam bem irritado! Outras mexem muito comigo! Mesmo assim, quero crer que a grande imprensa tem uma vantagem enorme em relação às mídias sociais: confiabilidade. Sim, porque publicar algo no Facebook é só publicar, é fácil. Mas uma notícia em um grande jornal é conferida, as fontes são pesquisadas. Pelo menos é o que quero crer!

Viva as opiniões diferentes das minhas!

Grande abraço!

Fernando Andrade
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