Escrever bem, um desafio

Meu artigo mais recente, “Nervos à flor da pele”, provocou reações que nunca poderia imaginar. Revendo resumidamente os pontos tratados:

– Acertei com um parceiro a gravação de vídeos à distância;
– Dois dias depois, três clientes solicitaram cursos presenciais;
– Não teria como fazer tudo com qualidade, disse ao parceiro que não poderia gravar os vídeos;
– A reação dele foi intensa, questionando meu comportamento e rompendo o relacionamento.

Meu objetivo principal no artigo foi questionar reações fortes, muitas vezes sem uma boa reflexão. Recebi vários e vários e-mails de apoio, mas também recebi críticas:

– Entendo seu parceiro, eu também não gostaria de ter contratado um serviço com você e dois dias depois saber que o trabalho não seria feito;
– Como sua decisão impactou o negócio do parceiro? Talvez ele estivesse apostando todas as fichas no novo projeto;
– Uma conversa teria resolvido a situação. Por que vocês não adiaram o início do projeto?

Fiquei muito preocupado com estes comentários, expliquei cada um deles – primeiro para mim mesmo e depois para os leitores.

Usei a palavra “parceiro”, deveria ter dito “amigo”. Sim, a pessoa em questão era um amigo. A gravação de vídeos não era a contratação de um serviço, era sim uma conversa na mesa de um restaurante, tratamos de um possível bom projeto. Sem prazos, sem planos, sem qualquer tipo de análise. Só que nada disso estava explicado em meu artigo.

Gravar vídeos seria mais uma atividade para meu parceiro, ele já tem há anos várias outras em andamento. Mais ainda, eu seria apenas um dos professores que teria aulas gravadas, meu amigo já havia abordado o assunto com outros palestrantes. Só que nada disso estava explicado em meu artigo.

Até propus a retomada do projeto em um futuro próximo, só que não falei disso no artigo.

O irônico é que, talvez pressentindo algumas reações contrárias, pedi a opinião de minha mulher. Ela gostou, achou que estava tudo bem. Só que ela sabia que meu parceiro era meu amigo, que ele desenvolvia outros trabalhos e que minha ideia era retomar a gravação de vídeos em algum momento.

É, escrever bem é um desafio! Há mais uma ironia aqui: sou professor, muitas de minhas aulas falam sobre a arte de escrever bem. Mas este meu texto não foi bem escrito, é por toco no assunto agora. Reconhecer um problema é um passo essencial para resolvê-lo.

Aprendi as lições: escrever, ler, reler, ler novamente! Tentar antecipar todos os lados de uma situação. Pedir para alguém analisar o texto, mas alguém sem qualquer tipo de envolvimento com o assunto. Ler de novo, principalmente se o texto for muito importante.

Conheço um engenheiro que prepara relatórios, mas só os entrega depois de sua esposa analisá-los. E ela nada entende do assunto, ela trabalha na superintendência de um grande banco. Se ela achar o texto coerente, fluido, profissional, então o engenheiro fica satisfeito.

Vivendo e aprendendo!

Fernando Andrade
www.pessoasetecnologia.com.br
fernando@pessoasetecnologia.com.br

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